O que é para ti a Liberdade?

Comunicação UF Queluz BelasCultura, Institucional

 
Hoje, no dia em que celebramos a Liberdade Nacional, em que honramos a memória de um momento que não pode ser esquecido quisemos saber como os mais novos sentem e veem esta data.
Desafiamos, por isso, as escolas da freguesia para, em conjunto com os alunos e as famílias, reflectirem sobre como é sentido o dia de hoje.
E, neste tempo que vivemos de condicionamento e restrição estas foram as manifestações escritas que recebemos sobre a Liberdade dentro de cada criança.

 

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O QUE É PARA TI A LIBERDADE?

A liberdade é diferente da prisão. Se tivermos liberdade podemos viajar, dançar, cantar, jogar.

É isto que os animais precisam… de liberdade. Eles precisam de ser soltos.

Nós que temos liberdade podemos fazer quase tudo, mas os que estão na prisão não porque mandam neles.

A liberdade é boa porque podemos fazer muitas coisas, mas se não houvesse liberdade não dava para fazer nada.

Se os pássaros estiverem numa gaiola, não conseguem voar, mas se tiverem soltos podem voar ao ar livre.

 

02

Para mim liberdade é:

Poder ser verdadeiramente quem nós somos.

Poder sair livremente a rua.

Poder beber coca-cola.

 

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A liberdade para mim é:

– poder passar tempo com a minha família e amigos que não tenho possibilidade de ver durante a quarentena;

– poder treinar com o meu tio;

– passear com os meus pais e com a minha irmã;

– poder viajar com o meu pai;

– continuara jogar no local onde costumo treinar;

– festejar o meu aniversário onde eu quiser.

 

(Textos escritos pelos  alunos do 3.º A da Escola EB1/JI do Casal da Barôta)

 

 

Liberdade no Estado Novo

Liberdade tem um significado. O significado da palavra é fazer o que nós quisermos, mas respeitando sempre a vontade do outro. Sabiam que na altura do Estado Novo liberdade tinha um significado diferente? Hoje vou vos contar uma história sobre uma menina chamada Celeste Caeiro.

Na altura em que Salazar era o Chefe do Governo, em 1935, Celeste tinha mais ou menos 1 anos.

Certo dia, perguntou a sua mãe o seguinte:

– Mãe, o que quer dizer liberdade?

– Sabes filha, não sei te dizer o que é liberdade porque nem eu sei o que quer dizer. Só ouvi dizer que é uma coisa que não está a acontecer neste país.

Mas claro que com 1 ano não se sabe tudo. Então Celeste não sabia o que estava a acontecer no país. Depois o tempo passou e ela já tinha 34 anos. E agora vivia no Chiado em Lisboa, na rua Braamcamp. Ela já sabia o que se estava a passar no país e lembrava-se do que a mãe tinha lhe dito, mas mesmo assim ela não sabia o significado da palavra liberdade. Tal dia, ouviu na sua televisão que Marcelo Caetano tinha sido eleito como chefe do governo.

Tal ela, tal todos os portugueses esperavam mudanças na sua governação, mas esperaram alguns dias e não houve nenhuma mudança. Os portugueses já estavam a ficar fartos.

Em 1973, no dia 25 de abril, Celeste andava por aí nas ruas do Rossio de Lisboa quando viu um anúncio que num restaurante que acabava de abrir e que precisava de um empregado (a) novo(a). Como estava desempregada e percebia de servir às mesas, decidiu tentar candidatar-se. E adivinhem, ela conseguiu. A partir desse dia, finalmente recebeu algum dinheiro, e quando digo algum dinheiro digo muito dinheiro.

No dia 25 de abril de 1974, a loja fazia um ano. O gerente da loja teve a ideia de oferecer cravos às senhoras e vinho do porto aos cavalheiros. Mas nesse dia não ocorreu o previsto porque estava a decorrer uma coisa imprevista, uma coisa tão imprevista que nem a Celeste sabia, porque dizem que ela sabia tudo. Essa coisa era que os militares iam deter Marcelo Caetano. Quando Celeste recebeu esta notícia, ficou de boca aberta. Finalmente vai se fazer justiça! Ela saiu do restaurante e foi para casa de Metro, do Rossio até ao Chiado. Quando saiu do Metro, se deparou imediatamente com os tanques dos revolucionários. Aproximou-se e perguntou a um soldado:

– O que estão a fazer?

-Nós vamos para o Carmo para deter o Marcelo Caetano. Isto é uma revolução! – disse o solado.

De imediato, o soldado pediu a Celeste um cigarro, mas Celeste não tinha nenhum. Ela queria dar comida ao soldado, mas todas as lojas estavam fechadas. Por isso deu-lhe a única coisa que tinha: os molhos dos cravos, dizendo:

– Se quiser tome um cravo, oferece-se a qualquer pessoa.

O soldado aceitou e pôs a flor no cano da espingarda.

Celeste decidiu dar cravos a todos os soldados que ia encontrando, desde o Chiado ao pé da Igreja dos Mártires.

Depois esses soldados todos conseguiram deter o Marcelo Caetano, reforçados com o poder de um mísero cravo.

Depois de o deter, soldados desfilavam na rua e pessoas davam cravos aos soldados. É por isso que se chama revolução dos cravos. E nesse mesmo dia, Celeste celebrou o 25 de abril e finalmente soube o significado da palavra liberdade.

FIM

(Texto escrito por um aluno da  Escola EB1 Nº2 de Queluz)